
Quatro propostas privadas sugerem pontos de partida no ES para integração com a Ferrovia Bioceânica rumo ao Pacífico
Quatro empresas privadas entregaram ao governo federal projetos ferroviários partindo do Espírito Santo, com potencial de integração à Ferrovia Bioceânica — corredor logístico que pretende conectar o litoral brasileiro ao porto de Chancay, em Lima (Peru), criando uma rota direta entre a América do Sul e o mercado asiático.
Segundo o consultor técnico da Findes, Luis Cláudio Montenegro, as propostas envolvem trechos conectados a áreas estratégicas de logística e exportação, reforçadas pela proximidade com portos em expansão no Estado.
Quatro propostas com origem no ES
O município de Aracruz concentra duas das iniciativas, enquanto São Mateus, com o projeto da Petrocity, e Presidente Kennedy, associado ao Porto Central, completam a lista.
Em Aracruz, a combinação de infraestrutura logística e portuária — como o Portocel e o porto da Imetame, previsto para 2026 — fortalece o município como possível porta de entrada para cargas do Atlântico rumo ao Pacífico.
Em Presidente Kennedy, o Porto Central também desponta como alternativa. Montenegro alerta, porém, que qualquer escolha demandará uma ferrovia extensa e de alto investimento, dado o porte do empreendimento.
“A decisão exigirá grande aporte financeiro e alinhamento técnico para definir o traçado viável”, avaliou o consultor.
Traçado oficial ainda prevê início na Bahia
O projeto apresentado pelo governo federal estabelece como ponto de partida o Porto Sul, em Ilhéus (BA). A obra, entretanto, enfrenta entraves como licenciamento ambiental complexo e a construção de uma ponte de mais de 3 km para interligar o porto à Fiol (Ferrovia de Integração Oeste–Leste).
Uma fonte do governo capixaba afirmou que o trecho baiano é “complexo e problemático”, o que reforça o interesse no Espírito Santo como rota alternativa.
Integração ferroviária e desafios técnicos
A Bioceânica deve conectar trechos já existentes em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, formando um corredor multimodal integrado à Fiol, Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e à Ferrovia Norte-Sul, em Campinorte (GO). A intenção é escoar, por ambos os oceanos, commodities do Centro-Oeste.
Entre os desafios discutidos está a diferença de bitolas ferroviárias, o que pode exigir zonas de transbordo, elevando custos e ampliando prazos logísticos. Ajustes no traçado final dependerão das propostas selecionadas.
Acordo Brasil–China e expectativa de inclusão do ES
O interesse internacional foi reforçado pelo memorando Brasil–China, que prevê estudos aprofundados da malha ferroviária nacional. Em abril, uma comitiva do China Railway Economic and Planning Research Institute esteve no Brasil para reuniões com a Casa Civil, Ministério dos Transportes e MPO.
Embora o início oficial ainda seja Ilhéus, quatro propostas partindo do Espírito Santo aumentam a expectativa de que o Estado seja incluído no mapa definitivo da Ferrovia Bioceânica.
Por: Redaçâo Local | Jailson Santos

