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STF torna Eduardo Bolsonaro réu por suposta coação no curso de processo

STF torna Eduardo Bolsonaro réu por suposta coação no curso de processo

Primeira Turma recebe denúncia da PGR sobre possível pressão internacional exercida pelo deputado durante julgamento envolvendo Jair Bolsonaro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi consolidada após o registro de voto da ministra Cármen Lúcia neste sábado (15), formando maioria pela admissibilidade da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro teria atuado a partir dos Estados Unidos para tentar interferir no julgamento que condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a 27 anos e três meses de prisão por liderar organização criminosa com objetivo de permanecer no poder após a derrota de 2022. A PGR afirma que o deputado buscou pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações internacionais.

O julgamento ocorre no plenário virtual, onde os votos são inseridos eletronicamente. Apesar da unanimidade entre os quatro ministros que compõem a turma, o prazo segue aberto até 25 de novembro, período no qual ainda podem ocorrer alterações de votos, pedidos de vista ou encaminhamento ao plenário — algo considerado incomum no colegiado.

Além de Cármen Lúcia, votaram pelo recebimento da denúncia os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino e Cristiano Zanin. Ao fim do prazo, será publicada a ata e o processo seguirá para a fase de instrução, com coleta de provas, oitivas e interrogatório do réu.

No voto de fundamentação, Moraes afirmou que o deputado “insistiu na estratégia de ameaçar gravemente os ministros do Supremo”, buscando influenciar em favor de Jair Bolsonaro. Para o relator, a tentativa ocorreu por meio da obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos, como tarifas de exportação — o chamado “tarifaço” —, suspensão de vistos e a possível aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

Segundo Moraes, tais medidas foram decretadas sem comprovação de irregularidades por parte do Brasil e atingiram integrantes do STF, suas famílias e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que tiveram vistos cancelados.

Para a PGR, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo atuaram com o objetivo de criar instabilidade e temor institucional, projetando represálias estrangeiras para impedir avanços de investigações relacionadas ao episódio do golpe. A Procuradoria concluiu que ambos cometeram coação no curso do processo, crime com pena prevista de um a quatro anos de prisão.

Por: Redaçâo Local | Jailson Santos