
Audiência pública discute reparação aos atingidos, recuperação ambiental e desafios econômicos dez anos após o rompimento da Barragem de Fundão
A Comissão Externa da Câmara dos Deputados que acompanha os impactos de rompimentos de barragens realizou, na última terça-feira (9), uma audiência pública para discutir os efeitos do desastre da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), sobre municípios do Extremo Sul da Bahia. O encontro ocorreu em Brasília e reuniu representantes do poder público, lideranças comunitárias e pessoas atingidas pela tragédia.
A audiência foi proposta pelo deputado federal Gilson Daniel (Pode-ES), presidente da comissão. Durante os debates, foram analisadas as consequências ambientais, econômicas e sociais enfrentadas por cidades como Mucuri, Nova Viçosa e Caravelas, que continuam registrando reflexos do rompimento ocorrido em novembro de 2015.
Os participantes destacaram os prejuízos sofridos por atividades essenciais para a economia regional, especialmente a pesca artesanal, a maricultura e o turismo. Também foram debatidos os avanços obtidos por meio dos acordos de reparação firmados nos últimos anos, além dos desafios ainda existentes para garantir atendimento às comunidades afetadas.
Reparação e Indenizações
Durante a audiência, foram levantados questionamentos relacionados ao reconhecimento das pessoas atingidas pelo desastre e aos critérios utilizados para definir a elegibilidade aos programas de indenização. Também foram discutidas as compensações financeiras destinadas às comunidades e a necessidade de ampliar a efetividade das medidas de reparação.
Segundo Gilson Daniel, ainda existem demandas pendentes que exigem acompanhamento permanente dos órgãos responsáveis e das instituições envolvidas no processo de reparação.
Recuperação Ambiental e Econômica
Outro tema central do debate foi a implementação de ações estruturantes voltadas à recuperação dos territórios impactados. Os participantes defenderam iniciativas capazes de estimular a retomada das atividades produtivas, fortalecer a economia local e recuperar áreas afetadas pelos rejeitos de mineração.
O rompimento da Barragem de Fundão, pertencente à mineradora Samarco, é considerado um dos maiores desastres socioambientais da história do Brasil. A tragédia liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos, destruiu comunidades e comprometeu a bacia do Rio Doce, causando impactos que alcançaram o litoral do Espírito Santo e da Bahia.
Quase onze anos após o desastre, representantes das comunidades atingidas reforçaram a necessidade de acelerar medidas de reparação e recuperação, garantindo que os efeitos econômicos, sociais e ambientais sejam enfrentados de forma efetiva pelas instituições responsáveis.
Por: Redaçâo Local | Jailson Santos


