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Deputadas acionam PF e MPF após comentários sobre morte de jovem em ponte

Deputadas acionam PF e MPF após comentários sobre morte de jovem em ponte

Erika Hilton e Tabata Amaral pedem investigação contra publicações que, segundo elas, fazem apologia à violência sexual, à necrofilia e ao vilipêndio de cadáver

As deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP) pediram, nesta segunda-feira (15), a atuação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) para investigar comentários publicados após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, arremessada de uma ponte em Limeira (SP).

Segundo as parlamentares, as mensagens ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram possível incitação à violência sexual, necrofilia e vilipêndio de cadáver.

Pedido de investigação

Conforme publicação feita por Erika Hilton nas redes sociais, a deputada solicitou investigação criminal contra usuários da rede social X, antigo Twitter. Ela divulgou capturas de tela com comentários de perfis que, segundo a parlamentar, incitavam crimes contra a vítima.

“Isso é misoginia, isso é incitação e isso é crime! Um crime cometido pela internet e cuja responsabilidade de investigação recai sobre a PF. Não podemos permitir que a falta de moderação e de responsabilidade das big techs, que lucram bilhões de dólares, continue a normalizar tantos horrores”, afirmou Erika.

Tabata Amaral informou, também por meio das redes sociais, que acionou o MPF para apurar possíveis crimes de ódio cometidos pela internet.

“Estou entrando com uma ação no Ministério Público Federal para apurar crimes de ódio cibernéticos nesse caso. Nem mesmo no leito de morte, nós, mulheres, temos paz”, escreveu.

Morte em queda de cerca de 40 metros

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Maria Eduarda caiu de aproximadamente 40 metros de altura na trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte da jovem no local.

O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de Limeira como homicídio.

Segundo informações do boletim de ocorrência, uma enfermeira tentou reanimar a vítima antes da chegada do socorro. Ainda conforme o documento, dois homens que estavam próximos se apresentaram como funcionários da empresa responsável pelos saltos no local.

A dupla entregou documentos pessoais, mas, de acordo com o registro policial, fugiu para uma área de vegetação no momento em que um policial se afastou para prestar apoio ao resgate.

Vídeo mostra momento da queda

Ainda segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha apresentou aos policiais um vídeo do momento da queda. Nas imagens, três pessoas que seriam ligadas à empresa responsável pelos saltos aparecem erguendo a jovem acima da cabeça e, em seguida, arremessando-a da ponte.

O documento aponta que a vítima foi lançada em queda livre, sem equipamento de segurança visível. Relatos registrados pela Polícia Militar indicam que funcionários responsáveis pela atividade teriam esquecido de conectar a corda antes do salto.

Outro vídeo compartilhado nas redes sociais mostra a reação de pessoas que acompanhavam a atividade. Poucos segundos após o lançamento, testemunhas começaram a gritar ao perceber a ausência da corda de segurança.

Três suspeitos presos

Segundo a Polícia Militar, seis pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos. Três delas foram liberadas.

Outros três homens foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando não há intenção direta de matar, mas se assume o risco de provocar a morte. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor De Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra.

Nesta segunda-feira, a Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante dos três suspeitos em prisão preventiva, por tempo indeterminado.

Suspeitos não explicaram falha

De acordo com o boletim de ocorrência, dois dos presos estavam sobre a ponte quando a polícia chegou. Ambos haviam trocado de roupa e não explicaram o motivo.

Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, e à página do jornalista Carlos Gomide no Instagram, a delegada plantonista Andréa Dantas afirmou que os suspeitos não esclareceram se a ausência da corda ocorreu por falha ou lapso.

“Eles estão até desnorteados ali com a situação porque praticam isso há muito tempo e nunca tinha acontecido [um episódio como esse]”, disse a delegada.

Fontes: Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Polícia Militar, boletim de ocorrência, publicações das deputadas Erika Hilton e Tabata Amaral nas redes sociais, Justiça de São Paulo, EPTV e página do jornalista Carlos Gomide no Instagram.

Jailson Santos - Jornalismo investigativo digital

Por: Redaçâo Local | Jailson Santos