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Governo Lula critica participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA sobre tarifas ao Brasil

Governo Lula critica participação de Flávio Bolsonaro em audiência nos EUA sobre tarifas ao Brasil

Planalto acusa senador de legitimar investigação norte-americana e cita relação com o caso Master; parlamentar defende atuação em nome da oposição

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nota oficial criticando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para discutir a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Segundo o governo federal, a presença do parlamentar representou uma "intervenção" em um processo conduzido pelas autoridades norte-americanas e contribuiu para legitimar uma investigação que o Planalto considera injustificada.

A audiência reuniu representantes do setor privado e da sociedade civil para debater os impactos das medidas comerciais propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

Planalto contesta declarações do senador


Na nota divulgada pelo governo, o Planalto afirma que Flávio Bolsonaro citou o chamado caso Master durante sua manifestação, mas teria omitido referências à origem das investigações e ao seu relacionamento com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

O texto afirma:

"Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de R$ 130 milhões para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai."


Ainda segundo o governo, entre os 34 brasileiros inscritos para participar da audiência, apenas Flávio Bolsonaro não se posicionou contra a adoção das tarifas comerciais propostas pelos Estados Unidos.

Para o Planalto, o senador sugeriu apenas que a implementação das medidas fosse adiada até depois das eleições brasileiras, o que foi classificado na nota como uma posição de "claro objetivo eleitoreiro".

Flávio defendeu adiamento das tarifas


Durante sua participação na audiência, Flávio Bolsonaro afirmou que a adoção imediata de novas tarifas poderia favorecer politicamente o presidente Lula durante o período eleitoral.

Segundo o senador, o debate sobre as sanções comerciais deveria ocorrer somente após o processo eleitoral brasileiro, evitando impactos no cenário político interno.

O parlamentar também criticou a ausência de representantes oficiais do governo brasileiro no evento e afirmou que participou da audiência por ser integrante da oposição e por considerar importante defender os interesses do país perante as autoridades norte-americanas.

Governo explica ausência na audiência
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação foi de que o envio de representantes oficiais poderia ser interpretado como reconhecimento da legitimidade da investigação conduzida pelos Estados Unidos.

Por essa razão, o governo optou por não participar da audiência organizada pelo USTR.

Em nota, o Executivo afirmou que, ao invés de contestar as acusações apresentadas pelas autoridades norte-americanas, Flávio Bolsonaro teria reforçado argumentos utilizados na investigação.

"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", afirmou o governo.


Investigação comercial segue em andamento


O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O procedimento analisa supostas práticas consideradas desleais em áreas como sistemas de pagamento — incluindo o Pix —, combate ao desmatamento ilegal, atuação de plataformas digitais e questões relacionadas à corrupção.

No dia 1º de junho, o órgão anunciou a conclusão da investigação e sugeriu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

As audiências públicas realizadas em Washington fazem parte da etapa de consulta, permitindo que representantes de entidades, empresas e interessados apresentem argumentos antes da definição final das medidas comerciais.

Por: REDAÇÃO TCJ RIO