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Senado aprova projeto que cria mecanismo de pagamento automático da pensão alimentícia

Senado aprova projeto que cria mecanismo de pagamento automático da pensão alimentícia

Proposta permite transferências mensais determinadas pela Justiça e segue para sanção presidencial; medida busca reduzir inadimplência

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (7), o projeto de lei que cria um mecanismo de pagamento automático da pensão alimentícia, conhecido como "Pix Pensão". A proposta segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A votação ocorreu de forma simbólica, sem registro nominal dos votos dos parlamentares. O projeto é de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e teve parecer favorável da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), relatora da matéria no Senado.

Apesar da expressão "Pix Pensão", o texto não determina que os pagamentos sejam realizados obrigatoriamente pelo sistema Pix. O nome faz referência ao modelo de transferência automática previsto na proposta.

Pagamento poderá ser determinado pela Justiça


O projeto estabelece que o beneficiário da pensão alimentícia, ou seu representante legal, poderá solicitar ao Judiciário, em qualquer fase do cumprimento da sentença, que o pagamento seja realizado automaticamente todos os meses.

Atualmente, quando o devedor possui vínculo empregatício formal, o desconto pode ser efetuado diretamente na folha de pagamento. Nos demais casos, o beneficiário precisa recorrer novamente à Justiça sempre que houver atraso no pagamento.

Pela nova proposta, caberá ao juiz determinar que a instituição financeira responsável realize as transferências automáticas nas datas fixadas pela decisão judicial.

O magistrado também deverá estabelecer procedimentos para situações em que não houver saldo suficiente na conta do devedor.

Instituições financeiras terão novas obrigações


Caso a proposta seja sancionada, os bancos deverão informar ao Banco Central (BC) quando houver insuficiência de recursos para cumprir a transferência determinada judicialmente.

Além disso, as instituições financeiras passarão a prestar informações detalhadas sobre o cumprimento das ordens judiciais, incluindo valores transferidos, datas das operações e eventual incidência de juros.

O projeto também prevê que, em determinadas situações, o Banco Central poderá bloquear automaticamente ativos financeiros do devedor correspondentes ao valor atualizado das parcelas em atraso.

Segundo o texto aprovado:

"A indisponibilidade será convertida em penhora, se rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, e o juiz da execução deverá determinar à instituição financeira que, no prazo de 24 horas, transfira o montante indisponível para a conta."


CNJ ficará responsável pelo acompanhamento dos dados


A proposta atribui ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a responsabilidade de acompanhar a implementação do novo mecanismo.

O órgão deverá reunir e divulgar estatísticas relacionadas ao pagamento automático da pensão alimentícia, incluindo informações como quantidade de processos, valores médios das transferências e perfil das partes envolvidas.

Objetivo é reduzir inadimplência e simplificar cobranças


Na justificativa do projeto, a deputada Tabata Amaral argumenta que o novo modelo busca tornar a cobrança da pensão alimentícia mais eficiente, reduzindo a necessidade de novas ações judiciais sempre que houver atraso nos pagamentos.

Segundo a parlamentar, a medida também pretende diminuir custos processuais, facilitar o cumprimento das decisões judiciais e reforçar a responsabilidade dos devedores em relação ao sustento dos filhos.

Antes da aprovação em plenário, a proposta recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado em 10 de junho, após já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados no ano anterior.

Com a aprovação pelo Congresso Nacional, o projeto aguarda agora a decisão presidencial para entrar em vigor.

Por: REDAÇÃO TCJ RIO