
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam impacto político de investigações sobre ex-governador e temem desgaste na disputa de 2026
A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deflagrada nesta terça-feira (26), ampliou a preocupação entre aliados do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL.
Nos bastidores do partido, integrantes da legenda avaliam que o cenário político no Rio de Janeiro se tornou ainda mais delicado após a sequência de investigações envolvendo Castro, considerado peça importante na articulação eleitoral bolsonarista no estado.
A operação desta terça investiga supostas transferências de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência — fundo de previdência dos servidores estaduais — para o Banco Master e fundos ligados à instituição financeira.
A ação ocorreu apenas 11 dias após outra ofensiva da PF contra o ex-governador, relacionada à suspeita de favorecimento ao grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.
Impacto político preocupa aliados
O Rio de Janeiro é considerado estratégico para o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de ser o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro, o estado possui o terceiro maior colégio eleitoral do país.
Nos bastidores do PL, cresce o receio de que o avanço das investigações atinja diretamente a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, principalmente devido à possível associação entre diálogos atribuídos a Cláudio Castro e áudios já divulgados envolvendo o senador.
Aliados afirmam que a preocupação aumentou após o ministro André Mendonça mencionar, no contexto das investigações, a existência de um “vínculo pessoal estreito” entre investigados.
O temor é que novos desdobramentos ampliem o desgaste político do grupo bolsonarista no estado.
Cenário eleitoral e articulações
A pré-candidatura de Cláudio Castro ao Senado já vinha sendo considerada fragilizada após sua condenação à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), relacionada à contratação irregular de cabos eleitorais em programas estaduais.
Com isso, aliados do PL passaram a discutir alternativas para reorganizar o palanque de 2026 no Rio de Janeiro.
Outro nome envolvido nas articulações é o deputado estadual Douglas Ruas, apontado como aliado estratégico de Flávio Bolsonaro no estado. Segundo interlocutores do partido, há preocupação de que a associação política com Cláudio Castro prejudique a projeção eleitoral do parlamentar.
Enquanto uma ala do partido defendia cautela diante das primeiras investigações, o novo avanço da Polícia Federal intensificou as divergências internas e aumentou a pressão por redefinições políticas.
Mudanças no comando do estado
O cenário político fluminense também sofreu alterações após a saída de Cláudio Castro do Palácio Guanabara e a ascensão do desembargador Ricardo Couto ao comando interino do Executivo estadual.
Segundo aliados do PL, a perda do controle da máquina estadual representa um obstáculo adicional para as articulações eleitorais do grupo no Rio de Janeiro.
Já setores da oposição passaram a associar as ações de fiscalização e revisão administrativa conduzidas pelo atual governo interino ao discurso de combate às irregularidades na gestão pública.
O desembargador Ricardo Couto afirma que sua atuação no Executivo segue critérios de neutralidade institucional.
A nova fase das investigações reforça dois temas centrais no cenário político fluminense: impacto jurídico nas articulações eleitorais e reorganização do palanque bolsonarista para 2026.
Por: REDAÇÃO TCJ RIO


