
Impasse entre republicanos e democratas paralisa setores essenciais do Estado e ameaça até 750 mil trabalhadores nos EUA
Pela primeira vez em quase sete anos, os Estados Unidos enfrentam um novo shutdown, reflexo direto do colapso da governabilidade neoliberal. O impasse entre os interesses corporativos representados pelos partidos tradicionais resultou na paralisação de serviços federais, após o Congresso e a Casa Branca não chegarem a um acordo sobre o orçamento.
A proposta republicana previa apenas sete semanas de extensão do financiamento, o que foi recusado por senadores democratas que exigem a renovação dos subsídios de saúde e o fim dos cortes no Medicaid — programa essencial para milhões de trabalhadores e suas famílias. O Senado votou a proposta por 55 a 45, insuficiente para aprovação, que exigia 60 votos.
Com o colapso das negociações, agências federais iniciaram o desligamento de servidores não essenciais, enquanto trabalhadores de áreas como segurança e saúde seguem em atividade sem remuneração garantida. Estima-se que até 750 mil servidores sejam afetados diariamente.
A Casa Branca, pressionada, ordenou um “encerramento ordenado” das atividades. Enquanto isso, partidos trocam acusações. Donald Trump responsabilizou os democratas e ameaçou cortes permanentes. Os democratas, por sua vez, denunciam a intransigência republicana e a falta de diálogo com os setores populares mais afetados.
“Estamos diante de mais um capítulo do fracasso do modelo de austeridade. Quando os interesses do capital se impõem sobre a dignidade do povo trabalhador, é o Estado que implode”, disseram representantes progressistas. O cenário remete ao shutdown de 2018-2019, também sob governo Trump, quando interesses eleitorais e corporativos paralisaram o país.
Num contexto de desigualdade crescente, a paralisação dos serviços públicos escancara o abismo social norte-americano e reafirma a urgência de um projeto de Estado baseado na defesa da vida, do bem-estar coletivo e da soberania popular.
Por: Redação Multmídia


