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Lula defende petróleo na Margem Equatorial e afirma que exploração representa soberania nacional

Lula defende petróleo na Margem Equatorial e afirma que exploração representa soberania nacional

Durante visita a sonda da Petrobras no Amapá, presidente disse que novas reservas podem financiar o desenvolvimento sem abandonar a transição energética

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a descoberta de petróleo na costa do Amapá como uma questão de soberania nacional e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas sobre a exploração de suas reservas.

A declaração foi feita nesta segunda-feira (17), durante visita à sonda NS-42, da Petrobras, responsável pela pesquisa exploratória no poço Morpho, localizado em águas profundas da Margem Equatorial. A presidente da estatal, Magda Chambriard, também participou da agenda.

“Isso aqui significa soberania nacional. Um país que tem um petróleo dessa qualidade não vai permitir que ninguém meta o dedo nele”, afirmou Lula.

O presidente defendeu a continuidade das pesquisas e argumentou que uma eventual produção comercial poderá gerar recursos para financiar investimentos estratégicos no país.

“Eu estou pensando no benefício que isso vai dar pro país quando a gente quiser fazer mais universidade, mais matemática, mais inteligência digital, mais escola integral e mais investimento na nossa soberania”, declarou.

Petróleo como ‘passaporte para o futuro

Durante a visita, Lula comparou as perspectivas da Margem Equatorial às oportunidades abertas pela descoberta do pré-sal e classificou o petróleo encontrado como um possível “passaporte para o futuro” do Brasil.

“Isso aqui pode se chamar passaporte para o futuro desse país”, afirmou ao apresentar uma amostra do óleo retirada durante a perfuração.

Apesar da defesa da atividade petrolífera, Lula afirmou que a exploração de novas reservas não representa o abandono da política de transição energética.

“Quando eu falo em passaporte para o futuro desse país, não estou negando a minha luta para que um dia a gente não precise utilizar combustível fóssil”, declarou.

Segundo o presidente, enquanto houver demanda internacional por petróleo, o Brasil poderá aproveitar suas reservas e, paralelamente, ampliar os investimentos em biocombustíveis e outras fontes renováveis de energia.

Lula também chamou atenção para as características do material encontrado. Ao comparar a amostra com o petróleo extraído do pré-sal, afirmou que o óleo da Margem Equatorial “parecia que já estava refinado, de tão leve”.

Presidente relembra debate antes da COP30

Durante o discurso, Lula também relembrou as resistências enfrentadas pelo governo em torno das pesquisas petrolíferas na Margem Equatorial.

Segundo ele, antes da COP30, realizada em Belém em 2025, houve recomendações para que o governo evitasse anunciar a obtenção da licença ambiental diante da possibilidade de repercussão negativa internacional.

“Muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, porque diziam que os europeus iam ficar chateados se a gente anunciasse que ia procurar petróleo”, afirmou.

O presidente disse ter mantido a defesa da prospecção por considerar que a decisão envolve interesses estratégicos do Brasil e da Petrobras. Ao mesmo tempo, assegurou que a exploração deverá respeitar as medidas de proteção ambiental.

“Vamos continuar cuidando do meio ambiente”, declarou.

Lula também destacou a preservação ambiental existente no Amapá, ressaltando que grande parte do território estadual permanece protegida e coberta por floresta.

Petrobras ainda calcula potencial da descoberta

Apesar do otimismo demonstrado durante a visita, a descoberta ainda passa por avaliações técnicas e não há confirmação de que o volume encontrado permita uma futura produção comercial.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, mas explicou que ainda é necessário determinar a quantidade disponível.

“Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, afirmou.

A conclusão da perfuração está prevista para ocorrer em aproximadamente 15 a 20 dias. A partir dos resultados, novos estudos deverão fornecer informações mais precisas sobre o tamanho e o potencial econômico da descoberta.

O poço Morpho está localizado no bloco FZA-M-59, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região com lâmina d'água de 2.886 metros. A Petrobras detém 100% de participação no bloco.

A estatal também solicitou autorização para perfurar outros três poços na região. As novas operações, entretanto, ainda dependem do processo de licenciamento ambiental e dos resultados obtidos na atual etapa exploratória.

A busca por novas reservas tornou-se estratégica para a Petrobras diante da perspectiva de que a produção do pré-sal alcance seu pico por volta de 2034 e 2035. Nesse cenário, a Margem Equatorial é considerada uma das principais novas fronteiras exploratórias para a reposição das reservas brasileiras nas próximas décadas.

Por: REDAÇÃO TCJ RIO