
Durante convenção que confirmou o PDT em sua aliança eleitoral, presidente criticou pedidos de sanções ao Brasil e defendeu a soberania nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a vir ao Brasil e montar um comitê de apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (20), durante a convenção nacional do PDT, em Brasília. No encontro, o partido oficializou apoio à tentativa de reeleição de Lula e confirmou sua participação na aliança liderada pelo PT para as eleições de 2026.
“Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país”, afirmou Lula.
Antes da provocação, o presidente acusou políticos brasileiros de recorrerem ao governo norte-americano para tentar aplicar sanções contra o Brasil.
“Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil”, declarou.
Rubio se reuniu com Flávio Bolsonaro em Washington, em maio, durante uma viagem do senador aos Estados Unidos. Na ocasião, o pré-candidato também manteve encontros com o presidente Donald Trump e com o vice-presidente JD Vance.
Tarifas entram no debate eleitoral
As declarações de Lula ocorreram após o governo Trump impor tarifas de 25% sobre milhares de produtos brasileiros. A medida passou a ocupar espaço na disputa presidencial, com o petista e Flávio Bolsonaro trocando acusações sobre a responsabilidade pelo aumento das taxas.
Durante a convenção, Lula relacionou o embate com os Estados Unidos à defesa da soberania nacional. Segundo ele, as decisões sobre o futuro do país devem ser tomadas pelos brasileiros, sem interferência de governos estrangeiros.
“Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos o que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania”, discursou.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, também criticou Donald Trump e confirmou que a legenda apoiará Lula desde o primeiro turno. O ex-ministro da Previdência classificou o petista como o “único antídoto” contra o presidente norte-americano.
“Você representa hoje o único antídoto à desgraça chamada Trump. O senhor resgata a história do povo brasileiro, de Brizola, dos brasileiros que morreram servindo a nação. O senhor é um patriota”, afirmou Lupi.
PDT oficializa apoio à reeleição
Ao agradecer o apoio da legenda, Lula citou Leonel Brizola, fundador do PDT, e criticou a deterioração do debate político brasileiro nos últimos anos.
“Eu acho que o Brasil sente saudade do tempo que a gente fazia política neste país, com um pouco de decência, de respeitabilidade ao povo brasileiro, porque a política nos últimos anos apodreceu”, declarou.
O PDT é o primeiro partido a oficializar sua entrada na coligação de Lula para a eleição deste ano. O presidente também conta com o apoio de PSB, PSOL, Rede, PV e PCdoB.
A convenção reuniu o presidente nacional do PT, Edinho Silva, integrantes do governo federal e lideranças pedetistas, entre elas Carlos Lupi, Juliana Brizola, André Figueiredo, Afonso Motta, Leila Barros e Celso Sabino.
Por: REDAÇÃO TCJ RIO


