Procuradoria aponta ameaça de sanções estrangeiras para favorecer Jair Bolsonaro; posts, entrevistas e dados de celulares embasam a peça
Coação e pressão externa
A Procuradoria-Geral da República denunciou Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo por coação em processo judicial, acusando-os de articular ameaças a ministros do STF com o uso de sanções de governos estrangeiros para “livrar o ex-Presidente de mácula penal”. No centro da acusação está a defesa da democracia e da soberania nacional diante de tentativas de tutelar o Judiciário por interesses privados e autoritários. Segundo a peça, o crime “consiste em usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade [...] que funciona ou é chamada a intervir em processo”.
Provas e articulações nos EUA
A PGR diz ter reunido declarações públicas dos denunciados, conteúdos de redes sociais e dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos com autorização do STF. O documento relata viagens e contatos com integrantes do alto escalão político norte-americano, inclusive encontro com o senador Bernie Moreno, para pressionar a Justiça brasileira. A denúncia ocorre no rastro da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e reafirma que nenhum poder estrangeiro pode servir de instrumento para constranger instituições que pertencem ao povo.
“É a Constituição que protege o Brasil, não a chantagem”, resume, nos bastidores, uma ala do Ministério Público, ao defender que o processo siga com transparência e respeito às garantias, mas sem tolerar ameaças ao Estado Democrático de Direito.
Por: Redaçâo Local | Jailson Santos


